Yvon Chouinard, fundador da empresa de roupas Patagonia, está doando toda sua empresa para uma organização sem fins lucrativos que irá destinar todo os lucros anuais em pró do combate às mudanças climáticas. 

Segundo uma matéria publicada na última quarta-feira (14), pelo o New York Times, a empresa vale cerca de US$ 3 bilhões.

Chouinard publicou uma carta do site oficial da marca que começou há 50 anos atrás com a seguinte fala:

“Enquanto estamos fazendo o nosso melhor para enfrentar a crise ambiental, não é suficiente. Precisávamos encontrar uma maneira de colocar mais dinheiro no combate à crise, mantendo os valores da empresa intactos. Uma opção era vender a Patagônia e doar todo o dinheiro Mas não podíamos ter certeza de que um novo proprietário manteria nossos valores ou manteria nossa equipe de pessoas em todo o mundo empregadas.

Outro caminho foi tornar a empresa pública. Que desastre teria sido. Mesmo empresas públicas com boas intenções estão sob muita pressão para gerar ganhos de curto prazo em detrimento da vitalidade e responsabilidade de longo prazo.

Verdade seja dita, não havia boas opções disponíveis. Então, criamos o nosso”.

COP27

A COP27, conferência da ONU que discute mudanças climáticas, vai discutir pela primeira vez o tema de sistema alimentar, baseado em plantas. 

O evento, que vai acontecer do dia 7 até o dia 18 de novembro de 2022, contará com um pavilhão denominado “Food4Climate”.

O pavilhão vai ser liderado pela ProVeg International, ONG de conscientização alimentar e ainda contará com o apoio de outros 17 parceiros globais.

A importância de abordar o sistema alimentar

O Acordo de Paris, estabelecido em 2015 e aprovado por 195 países, se comprometeu a diminuir os gases de efeito estufa e controlar o aquecimento global, para se isso se resume que a temperatura do planeta Terra seja mantida a 2°C ou menos. 

Pesquisas comprovam que sem mudanças no sistema alimentar atual, será impossível atingir a meta proposta no Acordo.

Afinal hoje a produção de laticínios e carnes correspondem a 83% do uso das terras agrícolas e as emissões dos gases de efeito estufa que contaminam o planeta são 60% provenientes deste setor. 

Estudos ainda afirmam que se todas as pessoas adotassem uma dieta baseada em plantas e vegetais, reduziria a dispersão dos gases em 75%.

Sobre o Pavilhão

O foco do pavilhão comandado pela ProVeg e seus parceiros é encorajar os estados membros da ONU a fazerem uma transição alimentar e adotarem uma dieta plant-based. 

Em um comunicado, Raphael Podselver, o chefe de advocacia da ONU na ProVeg disse: 

“A aprovação da ONU para estabelecer o Pavilhão Food4Climate na COP27 realmente marca uma mudança tectônica na abordagem da ONU aos sistemas alimentares. Esperamos que o pavilhão envolva os formuladores de políticas de todo o mundo para enfrentar os desafios apresentados pela agricultura e encoraje os países a adotar as soluções”. 

Sobre as mudanças na alimentação, ele completou: “A inação nos sistemas alimentares nesta fase não é mais uma opção. Precisamos fazer mais a transição para dietas baseadas em vegetais para reduzir as emissões de metano e CO2 de forma eficaz”, observou Podselver.

Gostou? Leia também:

Conferência da ONU sobre mudança climática apresenta defensores plant-based

Mudança climática: qual leite vegetal escolher?

4 perigos da carne para o meio ambiente

*Imagem de capa: Divulgação CNBC

Por Gabriela Catan em 15 de setembro
Faça parte da comunidade da Vegan Business no WhatsApp: Notícias | Investidores