A startup suíça Yeastup inaugurou uma fábrica em escala industrial para transformar resíduos da indústria cervejeira em proteínas e ingredientes funcionais. A abertura da unidade acontece cerca de um ano após a empresa captar quase US$ 10 milhões para converter uma antiga planta de laticínios em um centro produtivo voltado à economia circular.

Instalada na cidade de Lyss, a fábrica tem capacidade para processar até 4 mil litros de levedura residual de cerveja por hora. A partir desse insumo, a Yeastup produz proteínas e ingredientes funcionais que atendem a diferentes segmentos da indústria de alimentos e nutrição.

Os produtos são comercializados sob a marca Yeastin e têm aplicações bastante versáteis: substituem ovos em diversas formulações, melhoram textura e suculência de carnes vegetais e enriquecem barras proteicas e produtos de nutrição esportiva. Entre as soluções está a Yeastin Nutra, uma alternativa vegetal aos peptídeos de colágeno, além da UpFiber, um ingrediente rico em fibras alimentares.

Segundo o cofundador Daniel Gnos, a Yeastin Nutra permite criar barras com textura macia, semelhante à de uma barra de chocolate, sem o uso de ingredientes de origem animal. “Esse tipo de aplicação mostra bem o potencial tecnológico e a flexibilidade das nossas frações proteicas”, afirma.

Da levedura ao ingrediente funcional

Fundada em 2020 por Daniel Gnos e Urs Briner, a Yeastup desenvolveu um processo patenteável que combina métodos mecânicos suaves de ruptura celular, separação por fases e tecnologias avançadas de membranas. Tudo acontece em uma única etapa industrial, permitindo isolar proteínas, beta-glucanas e manoproteínas de forma eficiente.

O processo elimina subprodutos indesejados da fermentação, como compostos amargos, resultando em proteínas solúveis de sabor neutro e fibras de alta qualidade. A água utilizada é recuperada e reinserida no sistema, reforçando o compromisso da empresa com modelos produtivos circulares.

Do ponto de vista nutricional, a proteína da Yeastup apresenta índice de digestibilidade de 1.0 — equivalente ao de ovos, soro do leite ou carne bovina. Além disso, sua produção gera 81% menos emissões do que a carne e dispensa completamente o uso de terras agrícolas.

A Yeastin Prime se destaca pelas propriedades de gelificação, emulsificação e ligação, o que a torna uma substituta direta do ovo em produtos como maioneses veganas, cremes e itens de panificação. Essa solução ganha ainda mais relevância em um cenário global marcado pela crise dos ovos, impulsionada por surtos de gripe aviária, aumento de preços e escassez nas prateleiras.

Já a Yeastin Nutra combina alta solubilidade com teor proteico de 84%, sendo ideal para barras nutricionais e bebidas prontas para mistura. Outra inovação é a Yeastin Umami, uma proteína funcional que intensifica sabor, suculência e textura de carnes vegetais sem a necessidade de aditivos adicionais.

No portfólio de fibras, a empresa oferece ingredientes com propriedades avançadas de retenção de água e gelificação, além de aplicações em baixas temperaturas e benefícios para a saúde intestinal. Entre eles estão a UpFiber Beta-Glucan, voltada para suplementos, alimentos funcionais e cosméticos; uma mistura de colágeno com Verisol HST, da Gelita, destinada a gomas funcionais e produtos de beleza; e a Beta-Glucan BGV, um pó focado em saúde intestinal e imunidade para o mercado pet e de suplementação.

Próximo passo: Série A

A Yeastup iniciou a produção de amostras e lotes-piloto na unidade de Lyss no início deste ano e, desde então, ampliou sua capacidade de 1.600 para 4.000 litros por hora. A planta, com 1.700 m², está totalmente equipada e opera atualmente com uma equipe de 16 pessoas. A expectativa é iniciar a produção regular no começo de 2026, com planos de operação contínua.

Durante a inauguração da fábrica, a startup apresentou protótipos de suas primeiras barras proteicas veganas. Nelas, a proteína extraída da levedura residual desempenha funções semelhantes às dos hidrolisados tradicionais, ingredientes amplamente usados para melhorar textura, retenção de umidade e sensação na boca em produtos convencionais.

Até agora, a empresa já investiu cerca de US$ 12,5 milhões em capital de risco para desenvolver sua tecnologia, além de contar com anos de pesquisa conduzida em parceria com a Universidade de Ciências Aplicadas e Artes do Noroeste da Suíça.

Em fase de crescimento, a Yeastup se prepara para levantar uma rodada Série A, com o objetivo de acelerar a produção, expandir a atuação internacional e avançar no desenvolvimento de novos produtos.

“Com a conclusão do financiamento da Innosuisse e dos aportes em tecnologia prevista para 2025, nosso foco agora é escalar, desenvolver o portfólio e construir parcerias estratégicas de longo prazo”, explica Gnos. “A estrutura industrial está pronta, os primeiros projetos com clientes já estão em andamento e este é um momento muito interessante para investidores que queiram participar da próxima fase de crescimento da Yeastup.”

A empresa integra um grupo crescente de startups que vêm explorando o potencial das proteínas de levedura e ingredientes funcionais, ao lado de nomes como Angel Yeast, ProteinDistillery, Revyve, Intake e SuperYou.

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