A The Protein Brewery, foodtech sediada em Breda, na Holanda, acaba de captar €30 milhões (cerca de US$ 35 milhões) em uma rodada Série B para escalar a produção de sua proteína fermentada à base de fungos. O investimento reforça a confiança de grandes players no potencial da empresa em transformar o setor de nutrição ativa, snacks saudáveis e até mesmo o promissor mercado relacionado ao hormônio GLP-1.

A rodada contou com novos aportes da Invest-NL (braço de fomento do governo holandês) e da Agência de Desenvolvimento de Brabant (BOM). Eles se juntam aos investidores já existentes, como Novo Holdings – empresa controladora da farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do medicamento Ozempic –, Unovis Asset Management e Madeli. Com isso, a The Protein Brewery chega a um total de €52 milhões (US$ 61 milhões) captados desde sua fundação.

Fermotein: uma nova fronteira da proteína vegetal

O investimento será direcionado à expansão comercial da Fermotein, ingrediente desenvolvido pela empresa a partir de fermentação fúngica. Rico em proteínas completas e fibras alimentares, o produto já recebeu autorização para ser comercializado nos EUA e em Singapura. A expectativa é que a aprovação regulatória em outros mercados — incluindo União Europeia e Reino Unido — ocorra em breve.

“Nossos processos estão em fase final de avaliação nessas regiões, e já estudamos a entrada em mercados como Canadá, China e México”, afirma o CEO Thijs Bosch.

A Fermotein é produzida a partir de uma cepa do fungo Rhizomucor pusillus, resistente a ambientes extremos. O processo envolve cultivo em biorreatores, seguido por etapas de separação, pasteurização, desidratação e moagem. O ingrediente final, em pó, é versátil, com sabor, aroma e coloração neutros — o que facilita sua aplicação em diversas categorias alimentares, como bebidas proteicas, snacks, panificados, leites vegetais, iogurtes e muito mais.

Além do perfil nutricional robusto, a pegada ambiental da Fermotein é um diferencial notável: sua produção consome apenas 1% da terra, 5% da água e emite 3% dos gases de efeito estufa comparado à carne bovina. Em termos de produtividade, ela entrega 26 vezes mais proteína que a carne, cinco vezes mais que a soja e quatro vezes mais que a proteína de ervilha.

Foco em nutrição ativa, bem-estar e tendências como GLP-1

Com a crescente demanda por alimentos que aliem saúde, sustentabilidade e performance, a The Protein Brewery está direcionando sua estratégia para segmentos em alta, como nutrição esportiva, snacks funcionais e produtos que apoiam a regulação natural do hormônio GLP-1 — que ganhou os holofotes após a popularização de medicamentos como o Ozempic.

Segundo Bosch, a empresa já tem parcerias em andamento com fabricantes norte-americanos e prepara o lançamento de produtos voltados ao público que busca fórmulas com alto teor de proteína e fibras, inclusive versões keto-friendly.

“Uma das nossas clientes vai lançar em breve um produto vegano em pó para preparo, focado na nutrição funcional. Estamos vendo muito interesse em aplicações que promovam saciedade e suporte ao metabolismo — exatamente onde a Fermotein se destaca”, explica.

Há ainda um estudo em andamento para avaliar o potencial da Fermotein como estimulador natural do GLP-1, abrindo novas possibilidades para quem busca alternativas alimentares aos medicamentos farmacológicos.

Expansão industrial e novos mercados

A The Protein Brewery já opera uma planta-piloto em Breda com capacidade para produzir 100 kg de Fermotein por dia. Com o novo aporte, a meta é ampliar essa estrutura e preparar o caminho para a produção em larga escala.

Nos Estados Unidos, a empresa apresentou o ingrediente como autodeclarado GRAS (sigla para “geralmente reconhecido como seguro”), mas já submeteu formalmente o dossiê à FDA para obter o reconhecimento oficial — algo que deve acontecer nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, a empresa avança em parcerias estratégicas no Canadá e na Ásia. Em Singapura, onde a aprovação da agência sanitária foi concedida em 2024, a The Protein Brewery está firmando alianças com distribuidores locais para acelerar a entrada no mercado.

“Participaremos da Agri-Food Tech Expo Asia em novembro, e acreditamos que Singapura será um hub importante para nossa expansão na região”, afirma Bosch.

Investimento em fermentação segue forte, apesar da retração no setor

Mesmo com a queda significativa nos aportes ao setor de proteínas alternativas em 2024 — com retrações de 64% em proteínas vegetais e 40% em carnes cultivadas —, empresas focadas em fermentação conseguiram crescer: os investimentos aumentaram 43%, atingindo US$ 651 milhões no ano passado.

Já no primeiro semestre de 2025, o cenário continua desafiador, com queda de 50% nos investimentos gerais no setor. Neste contexto, o novo aporte de US$ 35 milhões conquistado pela The Protein Brewery se destaca e sinaliza a confiança dos investidores na tecnologia da empresa.

“Nossos novos investidores compartilham da nossa visão de escalar ingredientes sustentáveis e contribuir com o ecossistema de foodtech holandês”, diz Bosch. “Além disso, nossos acionistas atuais decidiram reinvestir porque acreditam no potencial da nossa tecnologia de fermentação proprietária como fonte alimentar eficiente e nutritiva em escala global.”

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