A Time-Travelling Milkman, startup holandesa que desenvolve ingredientes a partir de sementes de girassol, acaba de captar €2 milhões (US$ 2,3 mi) em rodada pré-série A. O aporte contou com novos investidores, como a Sparkalis — braço de inovação da gigante belga Puratos — e a Evercurious, além da participação da Oost NL, que já era acionista. Com isso, a empresa soma mais de US$ 3,9 milhões levantados até agora.
O investimento vai acelerar a chegada ao mercado do Oleocream, ingrediente que promete substituir gorduras lácteas em produtos como cream cheeses e sobremesas, entregando sabor e cremosidade sem depender de derivados animais.
“Para que a transição proteica realmente avance, precisamos de alternativas lácteas que sejam saborosas e atrativas”, destacou Jos Putker, gerente de investimentos em alimentos da Oost NL. Já para a Sparkalis, o diferencial da startup está em sua tecnologia disruptiva, capaz de transformar a forma como enxergamos a gordura na alimentação.
Tecnologia inspirada no próprio girassol
Fundada em 2020 por Dimitris Karefyllakis e Saskia Tersteeg, como um spin-off da Wageningen University, a Time-Travelling Milkman desenvolveu um processo patenteado que utiliza apenas sementes de girassol e água. O segredo está nos olesomas, minúsculas gotículas de óleo naturalmente presentes nas sementes e envolvidas por proteínas e fosfolipídios, que garantem estabilidade e textura.
Enquanto a indústria geralmente rompe essas estruturas para extrair o óleo, a startup mantém os olesomas intactos, resultando em um ingrediente menos processado, resistente à digestão e com propriedades muito próximas às das gorduras lácteas.
O resultado é um creme vegetal estável, versátil e rico em gorduras insaturadas, ideal para bebidas baristas, queijos veganos, sorvetes, molhos, sobremesas e até alternativas cárneas. Além disso, o Oleocream é livre de alergênicos e se adapta bem a processos de alta temperatura, fermentação e baixa acidez.
Resposta a um mercado em transformação
A proposta chega em um momento em que cresce o interesse do consumidor europeu por alimentos menos processados — dois em cada cinco evitam esse tipo de produto. Entre quem busca mudanças na dieta, 60% querem justamente reduzir o consumo de ultraprocessados.
Outro ponto crucial é a substituição de gorduras tropicais como óleo de palma e coco, amplamente usadas no setor plant-based, mas associadas a desmatamento em larga escala, incêndios florestais e violações de direitos humanos. O Oleocream surge como alternativa local, de baixo impacto e com 80% menos emissões de carbono em relação às soluções convencionais.
Escala comercial e próximos lançamentos
Com o novo aporte, a startup planeja ampliar testes comerciais já em andamento, firmar parcerias estratégicas e acelerar o lançamento dos primeiros produtos enriquecidos com Oleocream. A produção deve chegar a 1.000 toneladas anuais, permitindo atender tanto a indústria plant-based quanto o setor lácteo tradicional, inclusive em produtos híbridos — tendência que já ganha força na Holanda.
Nos próximos meses, devem chegar ao mercado os primeiros queijos cremosos e sobremesas desenvolvidos pela empresa, com listas de ingredientes mais curtas, limpas e livres de estabilizantes ou gorduras tropicais.
Além do Oleocream, a startup trabalha em outros dois ingredientes: o SunfloPro, um texturizante rico em proteínas, e o SunPulp, voltado para enriquecer alimentos com fibras e dar mais corpo e cremosidade.
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