Uma novidade interessante é que o Projeto Biomas, lançado pela Good Food Institute Brasil, irá realizar um aporte de até 135 mil reais em cada projeto de pesquisa exploratória que busque transformar as espécies de plantas nativas brasileiras em ingredientes para proteínas alternativas. Os estudos deverão focar em espécies da Amazônia ou do Cerrado, sendo as seguintes: babaçu, guaraná, cupuaçu, castanha do Brasil, baru, macaúba e pequi. Conforme dito pela Diretora de Ciência e Tecnologia da GFI Brasil, Dra. Katherine de Matos, no blog da Instuição: “No Brasil, temos o privilégio de possuir uma vasta biodiversidade, com potencial para transformar espécies nativas em ingredientes sustentáveis ​​para o mercado de produtos de base vegetal […]”. 

Uma informação relevante da GFI, sobre a flora e a fauna brasileira, é que uma nova espécie é descoberta a cada três dias. Isso significa que todo esse potencial do Brasil com relação às plantas nativas, pode auxiliar a aumentar os produtos de proteínas alternativas disponíveis e também impulsionar o desenvolvimento econômico regional. Logo, o Projeto Biomas veio auxiliar a concretizar esse potencial que ainda não foi totalmente explorado, sendo financiado pela fundação Climate Land and Use Alliance (CLUA), que busca alcançar o potencial das florestas e fazer bom uso da terra, para assim, suavizar os efeitos das mudanças climáticas, protegendo o meio ambiente e beneficiando a população.

Sobre o potencial da flora brasileira, Cristina Ambiel, gerente de ciência e tecnologia da GFI Brasil, disse ao Food Ingredients First: “O potencial da flora nativa brasileira não se reflete em supermercados, feiras e muito menos na culinária brasileira. Como resultado, a sociedade deixa de usufruir dos benefícios decorrentes dessa riqueza”. 

Decisão dos ingredientes de pesquisa do Projeto Biomas e prazo de inscrição

Para decidir os ingredientes que serão pesquisados, a GFI Brasil considerou diversos fatores, como o número de comunidades que produzem o ingrediente e seu volume, a maturidade da cadeia produtiva e seu resultado econômico, bem como a análise do potencial técnico (considerando a composição química dos alimentos e aspectos nutricionais, além do potencial tecnológico). 

Se você é um pesquisador e deseja realizar um projeto para a GFI, pode enviar sua candidatura até o dia 15 de julho, às 22h de Brasília, lembrando que devem ser executados em no máximo 12 meses e serem realizados no Brasil. Nessa página oficial você irá encontrar todas as informações necessárias, como o edital e o link de inscrição. 

Ingredientes regionais e proteínas alternativas disponíveis no Brasil

O Vegan Business está sempre falando de novos produtos com proteínas alternativas. Um exemplo de empresa vegana que já usa ingredientes regionais em seus produtos é a Amazonika Mundi, a partir da música Tropicana de Alceu Valente, que cita carne de caju, tiveram o insight de que poderiam utilizar essa planta tropical brasileira para produzir proteínas alternativas. Portanto, criaram a carne de fibra de caju. 

Sobre a Good Food Institute 

É uma organização internacional que não possui fins lucrativos, seu objetivo é construir um mundo onde as proteínas alternativas são a escolha padrão, sendo sustentáveis, seguras e justas. “Nós trabalhamos com cientistas, investidores e empreendedores para fazer comida inovadora uma realidade”, é dito

As ações que a GIF faz são as seguintes: suporte estratégico para as empresas de carne limpa e produtos vegetais, auxílio na conexão de pessoas inovadoras com empregos, investimentos e posições nas áreas científicas, educação das instituições a respeito das carnes veganas e clean-label, e também promoção dos produtos veganos, trabalhando em parceria com restaurantes, supermercados e empresas desse mercado, para aumentar sua disponibilidade. 

Outra informação importante é que a Instituição é financiada através da filantropia. 

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*Imagem de capa: Pixabay



por Amanda Stucchi em 23 de junho