A Wella decidiu encerrar seu patrocínio à Milan Fashion Week (MFW) em razão da permanência do uso de peles de animais nos desfiles do evento.
A decisão veio após uma série de protestos organizados pela Coalition to Abolish the Fur Trade (CAFT). Ativistas do grupo se manifestaram em frente às residências de executivos da empresa em Los Angeles, nos Estados Unidos, além de promoverem atos em estúdios da Wella em cidades como Frankfurt, Düsseldorf e Munique, na Alemanha; Varsóvia, na Polônia; Paris, na França; Toronto, no Canadá; e Fukuoka, no Japão.
Multinacional suíça do setor de cuidados capilares, a Wella mantinha parceria com a Milan Fashion Week — uma das quatro principais semanas de moda do mundo — pelo menos desde 2020. Em um e-mail enviado em 24 de janeiro de 2026, a diretora global de pessoas da companhia, Mallory Martino, informou à CAFT que a empresa havia decidido não seguir mais como patrocinadora do evento.
Mesmo diante da crescente pressão pública, a Milan Fashion Week segue permitindo o uso de peles em suas passarelas. Esse posicionamento levou os ativistas a direcionarem suas ações aos parceiros oficiais do evento. Segundo a CAFT, as mobilizações fazem parte de uma “campanha global anti-peles em constante escalada”.
Com a saída da Wella, o próximo alvo dos protestos deve ser a DHL, empresa global de logística e outro patrocinador oficial da Milan Fashion Week. “Esperamos que a DHL pressione o evento a abandonar o uso de peles ou esteja preparada para enfrentar manifestações em diferentes partes do mundo”, afirmou Suzie Stork, diretora executiva da CAFT.
A indústria da moda caminha para longe das peles
O rompimento da Wella acontece em um contexto de mudanças claras no setor da moda. Recentemente, a New York Fashion Week anunciou que não permitirá mais o uso de peles em seus desfiles. Em janeiro, a marca Rick Owens também aderiu à proibição, após protestos semelhantes.
No final do ano passado, o grupo editorial responsável por títulos como Vogue, Vanity Fair e GQ declarou que deixaria de promover peles tanto em conteúdos editoriais quanto em anúncios publicitários. Pouco depois, as editoras de Harper’s Bazaar e Cosmopolitan anunciaram uma decisão na mesma linha.
“O rumo da indústria global da moda é claro: o futuro não inclui peles”, afirmou Stork. “Ao se recusar a acompanhar esse movimento, a Milan Fashion Week se coloca, cada vez mais, do lado errado da história.”
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