A partir de julho de 2025, a Suíça passou a exigir que alimentos de origem animal tragam nos rótulos informações sobre práticas dolorosas às quais os animais foram submetidos — especialmente quando realizadas sem anestesia. A medida, aprovada pelo Conselho Federal, órgão máximo do Poder Executivo do país, representa um avanço importante em transparência no setor de alimentos.

Com a nova regra, produtos como carnes, ovos e laticínios deverão informar no rótulo se os animais passaram por procedimentos como castração, debicagem, remoção de chifres ou patas de rã, sem o uso de anestésicos — práticas comuns na pecuária intensiva. A obrigatoriedade vale para todos os pontos de venda, incluindo supermercados, restaurantes e serviços de alimentação.

O objetivo da nova legislação é claro: permitir que o consumidor tenha acesso a informações reais sobre a origem dos produtos que consome e, com isso, possa fazer escolhas mais conscientes e alinhadas a seus valores éticos.

Legislação também atinge produtos importados

A regulamentação não se limita à produção nacional. Produtos importados, como o foie gras, também deverão seguir as novas diretrizes. Apesar de a produção de foie gras (obtido por alimentação forçada de gansos e patos) estar proibida na Suíça há mais de 40 anos, sua importação continua permitida — e agora, o rótulo deverá deixar claro ao consumidor que o alimento foi obtido por meio de sofrimento animal.

O governo estabeleceu um período de transição de dois anos para que empresas, distribuidores e importadores possam se adaptar às novas exigências.

Bem-estar animal e consumo consciente em pauta

A nova medida é parte de uma agenda mais ampla da Suíça voltada à proteção animal e sustentabilidade alimentar. Em 2023, o governo já havia incentivado a redução no consumo de carne como estratégia para mitigar impactos ambientais e promover mais saúde à população — destacando os benefícios de uma dieta baseada em vegetais.

Nesse mesmo movimento, a Suíça também proibiu a importação de peles ligadas a maus-tratos e avalia ampliar esse veto para todos os produtos de pele, mesmo os legalmente produzidos em outros países. Caso isso avance, os varejistas precisarão comprovar que a origem das peças segue os padrões suíços de bem-estar animal.

Contradições no discurso: veto à rotulagem de alternativas vegetais

Enquanto o país dá passos importantes em transparência sobre produtos de origem animal, uma decisão recente do Tribunal Federal Suíço parece ir na contramão do movimento. A Corte proibiu o uso de termos como “frango” ou “porco” em rótulos de alimentos plant-based, mesmo quando usados para indicar sabor ou finalidade culinária.

Segundo a decisão, a utilização dessas palavras em produtos de origem vegetal poderia “enganar o consumidor” — uma interpretação que tem gerado críticas por parte de empresas e organizações que defendem uma rotulagem mais honesta e acessível para alternativas sem ingredientes de origem animal.

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