A foodtech britânica Adamo Foods acaba de receber um aporte de €10 milhões da União Europeia para acelerar a produção em escala comercial de seus cortes inteiros alternativos à carne feitos a partir de micélio, estrutura natural dos fungos.
O investimento faz parte do programa europeu Horizon Europe, através da iniciativa Circular Bio-based Europe Joint Undertaking (CBE JU), voltada para tecnologias ligadas à bioeconomia circular e sustentabilidade.
Fundada em 2021 em Londres, a Adamo Foods desenvolveu uma tecnologia própria de fermentação capaz de criar estruturas fibrosas semelhantes às fibras musculares da carne bovina. O foco da empresa está em um dos segmentos mais desafiadores do mercado de proteínas alternativas: os cortes inteiros, como steaks e filés.
Segundo a empresa, seus produtos possuem apenas cinco ingredientes naturais, não contêm colesterol e apresentam alta qualidade proteica. Além disso, a startup afirma que sua tecnologia gera cerca de 93% menos emissões de gases de efeito estufa em comparação à produção convencional de carne bovina.
O projeto financiado pela União Europeia recebeu o nome de “MycoStruct” e reúne um consórcio de 12 organizações entre empresas, universidades e centros de pesquisa europeus. Entre os parceiros estão Bühler, TU Delft, Bidfood Group e Bio Base Europe.
Além de ampliar a capacidade produtiva da Adamo Foods, a iniciativa também pretende utilizar subprodutos da indústria alimentícia como insumos para produção proteica, reforçando o conceito de economia circular dentro do setor de alimentos.
O CEO e fundador da empresa, Pierre Dupuis, afirmou que o objetivo da Adamo Foods não é apenas criar mais uma alternativa vegetal, mas desenvolver produtos capazes de competir com a carne convencional em sabor, textura, nutrição e preço.
A startup também revelou que pretende atingir paridade de preço com a carne bovina já no lançamento comercial de seus produtos, algo considerado um dos principais desafios do setor de proteínas alternativas atualmente.
O movimento reforça o crescimento das tecnologias baseadas em fermentação e micélio dentro do mercado global de proteínas alternativas, especialmente em um momento em que investidores e consumidores buscam produtos menos processados, com melhor textura e maior apelo nutricional.
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