O relatório do Credit Suisse, um banco suíço de investimentos, aponta que a indústria plant-based será 100 vezes maior em 2050.  A pesquisa cita: “Estimamos que o mercado de carnes e laticínios alternativos poderia crescer de US$ 14 bilhões, atualmente, para US$ 1,4 trilhão até 2050. Assim, haverá muitas oportunidades de investimentos interessantes neste espaço nos próximos anos”. 

Além disso, o relatório explica que a produção e consumo de alimentos são os responsáveis por mais de 90% do consumo de água doce no mundo e que, com o crescimento previsto da população mundial para 10 bilhões em 2050, as emissões de gases de efeito estufa poderiam aumentar em mais de 46%, enquanto a necessidade por terras agrícolas aumentaria em 49%. Portanto, a população deve mudar sua dieta, um trecho dessa afirmação é:  “A pesquisa sugere que uma dieta baseada em vegetais não apenas tem uma intensidade de emissão [de gases de efeito estufa] cerca de 90% menor do que a dieta média atual, mas também tem o potencial de reduzir o número de mortes prematuras entre adultos em cerca de 11 milhões”. 

Uma comparação para facilitar a visualização do quanto comer carne animal é prejudicial ao meio ambiente é a de David Yeung, fundador do Green Monday, um empreendimento social que busca promover o veganismo, ele falou na 21.ª Conferência de Investimento asiático do Credit Suisse (AIC), em 2018: “Quando você está comendo um hambúrguer [de carne animal], está consumindo 5.000 litros de água, ou o equivalente a seis anos de bebida. Se o mundo cortasse carne e laticínios de sua dieta poderia reduzir a pegada de carbono global pelo equivalente a todo o país dos EUA”, em tradução livre.

Agora, e quanto ao desperdício?

Outra publicação da Credit Suisse também aponta que mais de 30% dos alimentos produzidos são desperdiçados ou perdidos, isso significa, para fins de visualização, que US$ 408 bilhões de alimentos, só em 2019, não foram nem vendidos ou consumidos. Essa situação tem um custo de US$ 2,6 trilhões para a economia, o meio ambiente e a sociedade, conforme estimado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). As estimativas das perdas são assim: 50% dos alimentos se perdem ou são desperdiçados durante sua fase de produção e manuseio, enquanto 45% das perdas acontecem na fase de distribuição e consumo. 

Para ter um sistema alimentar mais sustentável, a publicação indica reduzir mais de 30% dos alimentos perdidos ou desperdiçados, podendo doá-los, compartilhá-los ou usar os resíduos de alimentos para criar produtos alimentares, por exemplo. Outras soluções são melhorar as embalagens e aprimorar, tanto o resfriamento, quanto o armazenamento dos produtos, buscando aumentar sua vida útil. 

Outras notícias positivas da indústria plant-based 

Diversos acontecimentos positivos ocorreram nessa indústria em 2021, para além da notícia positiva da Credit Suisse, dizendo que a indústria plant-based será maior em 2050. Quer saber quais são eles? Conforme a Vegconomist esses foram os principais acontecimentos até abril de 2021: 

  • Uma pesquisa da Revista Foods apontou que a carne de base celular poderá representar aproximadamente 40% do consumo alimentar das pessoas do Reino Unido e Estados Unidos, enquanto a carne convencional cerca de 60%; 
  • Dados divulgados em um relatório da Plant Based Foods, afirmam que nos Estados Unidos houve um aumento de 40% no consumo de leite vegetal e que 1 em cada 6 lares consome carne plant-based; 
  • Os infográficos da Business Expert apontam que haverá um crescimento na economia vegana, prevendo que até 2027 o mercado global chegue em US$ 35,5 bilhões. Também é realçado que o mercado de carnes de origem animal caiu 3% em 2020. Considerando a taxa de crescimento dos produtos plant-based, a Business Expert afirma que uma dieta à base de plantas pode substituir a carnívora no próximo século; 
  • Outro relatório, da Fact.MR, também mostra que o mercado de peixes à base de plantas irá crescer em um CAGR de cerca de 28% entre 2021 e 2031, atingindo uma avaliação de US$ 1,3 bilhão em 2031; 

Impressionante o crescimento da indústria plant-based, não é mesmo? 

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por Amanda Stucchi em 10 de junho