Dois anos depois de ser fundado com a missão de transformar pesquisas acadêmicas em negócios de impacto, o FOOD FOUNDERS Studio, de Zurique, anunciou a conclusão de sua rodada inicial de captação e o lançamento de sua primeira startup. A novidade mostra que é possível — e viável — transformar ciência em soluções concretas para o mercado de alimentos, mesmo em um cenário de investimentos desafiador.
O estúdio captou 1,2 milhão de francos suíços (US$ 1,36 milhão) com um grupo de investidores privados, entre eles um importante family office suíço que atuou como âncora da rodada. O aporte será usado para tirar das universidades europeias tecnologias alimentares promissoras que até agora estavam restritas a laboratórios de pesquisa, sem encontrar caminho para a indústria.
Quebrando resistências no setor
O processo de captação não foi simples. “Ouvimos de tudo: que comida sustentável já não é tendência, que foodtech está morto, que venture studios não funcionam e que parcerias com universidades demoram demais”, contou Giacomo Cattaneo, fundador do FOOD FOUNDERS Studio.
Ainda assim, a equipe seguiu firme com a visão de resolver um problema conhecido: a Europa é um polo de pesquisa em alimentos, mas a maior parte dessas descobertas fica engavetada devido à ineficiência dos mecanismos tradicionais de transferência de tecnologia.
A primeira aposta: resolver o sabor do plant-based
A estreia do venture studio é uma startup focada em um dos maiores desafios do setor: os sabores residuais de leguminosas que afastam consumidores dos produtos plant-based.
“Desenvolvemos, em parceria com uma universidade europeia, uma tecnologia proprietária capaz de neutralizar esses off-flavors de forma escalável e acessível, reduzindo inclusive o custo de formulação”, explicou Alexandre Morel, cofundador e CTO do estúdio.
A executiva que assumirá a posição de CEO da nova empresa — e que será apresentada oficialmente nas próximas semanas — reforçou a importância da solução: “Esse é o ponto que a indústria mais precisa resolver: sabor. Sustentabilidade é essencial, mas produtos só ganham mercado quando conquistam pelo paladar. Estamos oferecendo aos fabricantes a possibilidade de entregar alimentos realmente deliciosos.”
Validando o modelo
O lançamento da primeira startup serve como prova de conceito: mostra que a inovação acadêmica pode, sim, se transformar em negócios viáveis e atrativos para investidores, ao mesmo tempo em que gera impacto positivo para o sistema alimentar.
“O diferencial do nosso modelo é reduzir riscos de forma estruturada, conectando pesquisa de ponta e mercado. Assim, conseguimos criar valor para investidores e ao mesmo tempo gerar impacto em escala”, destacou Robert Boer, diretor de investimentos do FOOD FOUNDERS Studio e ex-Blue Horizon.
Construindo um ecossistema de inovação
O FOOD FOUNDERS Studio funciona como uma ponte entre universidades, fundadores visionários e empresas do setor. O objetivo é acelerar a chegada de soluções inovadoras ao mercado, oferecendo às companhias parceiras acesso a tecnologias que dificilmente teriam condições de desenvolver por conta própria.
Nos próximos meses, o estúdio pretende apresentar oficialmente seu Advisory Board, o novo diretor de investimentos e a primeira CEO da venture lançada, além de expandir seu pipeline de inovações vindas das universidades europeias.
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