Se proteína tem sido o grande tema das conversas sobre alimentação, a fibra não fica lá atrás.
O interesse crescente por saúde intestinal, uso de medicamentos como Ozempic e suplementos levou a fibra aos holofotes — e em meio a isso surgiu a onda do fibermaxxing no TikTok. Nela, influenciadores mostram refeições e lanches ricos em fibras enquanto explicam seus benefícios.
A proposta é simples: aumentar o consumo diário de fibra com alimentos vegetais como frutas, verduras, leguminosas e grãos integrais — e às vezes até com suplementos — justamente num momento em que os produtos ultraprocessados estão sendo rejeitados por muitos consumidores.
O que é fibermaxxing e por que virou febre no TikTok?
Nos Estados Unidos, o consumo recomendado varia de 25g (mulheres) a 38g (homens) por dia. Contudo, apenas cerca de 5% dos adultos atingem essa marca — em média, ingerem metade do que seria ideal.
Mas o interesse está crescendo: numa pesquisa com 3.000 pessoas, 71% afirmaram buscar mais proteína e 64% queriam consumir mais fibras — índices em alta em relação ao levantamento anterior.
Apps de nutrição personalizada, documentários como Hack Your Health (Netflix) e o movimento “30 plantas por semana” também ajudaram a dar visibilidade ao tema. E a popularização dos medicamentos GLP-1 como Ozempic reforçou a ideia de que fibra é aliada natural na regulação do apetite e do metabolismo.
Isso porque a fibra alimenta o intestino, ajudando a controlar os níveis de açúcar no sangue, a reduzir o colesterol e a aumentar a saciedade — fatores associados a menor risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, AVC e problemas cardíacos.
“Acho ótimo ver essa tendência. Muitas vezes as pessoas se prendem a modismos que não fazem diferença real na saúde — mas comer mais plantas e fibras faz”, afirmou Emily Haller, nutricionista registrada, ao New York Times.
Claro, como tudo na nutrição, é fundamental manter o equilíbrio: consumir fibra em excesso pode causar desconforto, inchaço e até diarreia.
Há espaço para marcas plant-based nessa onda?
Produtos de origem animal não têm fibra — só quem busca o nutriente encontra em alimentos vegetais. E como mais de 90% dos consumidores preferem obtê-la via alimentação em vez de suplementos, as marcas plant-based têm uma oportunidade clara.
Essa demanda tem estimulado inovação e formatos que valorizam os ingredientes naturais. Exemplos incluem burgers de vegetais da Actual Veggies, o Veg’chop da Oh So Wholesome e o Super Superfood da This.
Feijões, por si só, viraram destaque: são uma fonte poderosa de fibra e têm ganhado tração em debates sobre alimentação saudável. No Reino Unido, empresas como a Bold Bean Co viram crescimento de 306% após ganhar visibilidade no programa Dragons’ Den e fechar parcerias com chefs renomados como Yotam Ottolenghi.
O tofu e o tempeh também vêm ganhando espaço: a Better Nature Tempeh registrou aumento de 457% nas vendas, enquanto a Tofoo Co encerrou 2024 com quase 20% de crescimento. Nos EUA, marcas como Equii apresentaram massas feitas com farinha de proteína de levedura fermentada, com 28 g de proteína e 10 g de fibra por 100 g. Já a Daily Harvest (Grupo Chobani) lançou smoothies com mesma proporção de macronutrientes.
Grandes players também estão se alinhando à tendência: a Nestlé lançou uma linha GLP-1 friendly rica em fibra e proteína; a Coca-Cola colocou no mercado um refrigerante prebiótico; e a PepsiCo adquiriu a Poppi por quase US$ 2 bilhões. Recentemente, a Kate Farms, da Danone, incluiu smoothies plant-based proteico‑fibrosos no portfólio.
Relatório da ADM revela que 49% dos usuários de GLP-1 nos EUA querem consumir mais fibra, e 44% buscam mais proteína vegetal. Com esse cenário, alimentos plant-based que entreguem controle de porções, proteínas e fibras estão cada vez mais alinhados às expectativas do consumidor moderno.
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