A aquisição da Huel pela Danone deu mais um passo decisivo. A autoridade de concorrência do Reino Unido aprovou a operação, eliminando um dos últimos obstáculos relevantes para a conclusão do negócio, avaliado pela imprensa internacional em aproximadamente € 1 bilhão, equivalente a cerca de £ 860 milhões.

A Competition and Markets Authority (CMA), órgão britânico responsável por analisar questões relacionadas à concorrência, havia iniciado uma avaliação preliminar para entender os possíveis impactos da aquisição sobre o mercado local. A aprovação sem a exigência de mudanças no acordo indica que o regulador não identificou preocupações suficientes para avançar para uma investigação mais aprofundada.

Danone e Huel chegaram a um acordo para a aquisição em março de 2026. O valor oficial da transação não foi divulgado pelas empresas, embora diferentes veículos tenham situado a negociação na faixa de € 1 bilhão. Para a Danone, a compra representa um movimento estratégico para ampliar sua presença no segmento de nutrição funcional e especializada. Para a Huel, a entrada de um dos maiores grupos de alimentos do mundo pode acelerar principalmente sua expansão internacional.

De startup plant-based a negócio bilionário

Fundada no Reino Unido em 2015 por Julian Hearn, em parceria com o nutricionista James Collier, a Huel construiu seu crescimento em torno de uma proposta relativamente simples: oferecer refeições práticas, nutricionalmente completas e 100% à base de plantas.

O portfólio da empresa foi ampliado ao longo dos anos e hoje inclui produtos em pó, shakes prontos para beber, barras e outras opções voltadas para consumidores que buscam conveniência e nutrição. Entre as fontes de proteína utilizadas pela marca estão ervilha, fava, arroz integral e cânhamo.

A trajetória também mostra como marcas plant-based podem ultrapassar o nicho vegano. Inicialmente muito associada ao modelo de vendas diretas ao consumidor, a Huel expandiu sua presença no varejo e já está disponível em mais de 17 mil pontos de venda no Reino Unido.

Os números ajudam a explicar o interesse da Danone. No exercício financeiro mais recente divulgado, a Huel registrou receitas de £ 254 milhões, crescimento de 19%. Somente no Reino Unido, as vendas chegaram a £ 139,3 milhões, avanço de 26,5%.

O avanço da nutrição plant-based

Mais do que uma aquisição de grande porte, a operação mostra o valor que grandes companhias de alimentos estão atribuindo a marcas que combinam proteína vegetal, conveniência, nutrição e uma forte conexão com o consumidor.

A Huel nasceu como uma empresa essencialmente plant-based, mas conseguiu construir uma marca que conversa com um público muito mais amplo do que apenas consumidores veganos. Essa característica é especialmente relevante em um momento em que proteínas vegetais começam a ocupar novos espaços dentro dos mercados de wellness, suplementação e alimentação funcional.

No Brasil, movimentos semelhantes começam a ganhar escala. Um exemplo é a Sunrize, marca brasileira de proteínas vegetais que vem expandindo sua presença física por meio da Sunrize Shakehouse, rede especializada em shakes proteicos 100% vegetais. Lançada no final de 2025, a rede chegou à sua oitava unidade em julho de 2026, com operações em diferentes regiões do país e formatos que incluem lojas de rua, contêineres e unidades store in store dentro de academias e boutiques fitness.

Embora em uma escala muito diferente da Huel, o crescimento da Sunrize Shakehouse no Brasil ajuda a ilustrar uma mudança mais ampla no setor: produtos à base de plantas estão deixando de depender exclusivamente do consumidor vegano e passando a disputar ocasiões de consumo ligadas a proteína, performance, saúde e conveniência.

Esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes da aquisição da Huel. O negócio reforça que empresas construídas em torno de proteínas vegetais não precisam necessariamente permanecer restritas à categoria de “alternativas”. Quando conseguem unir produto, conveniência, marca, distribuição e recorrência, podem competir dentro de mercados muito maiores.

Com uma avaliação próxima de € 1 bilhão, a trajetória da Huel se torna um dos exemplos mais relevantes de criação de valor no mercado plant-based global e um sinal importante para empreendedores e investidores que acompanham o desenvolvimento dessa categoria no Brasil.

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