O ultramaratonista vegano Damian Hall conquistou o título da Montane Lakeland 100, uma das provas de ultradistância mais desafiadoras e prestigiadas do Reino Unido.

Foi a primeira vez que Hall participou da competição, que percorre algumas das montanhas e vales mais icônicos do Distrito dos Lagos. Aos 49 anos, o atleta completou o percurso em 19 horas, 33 minutos e 33 segundos, mantendo um ritmo médio de pouco mais de 11 minutos por milha – desempenho que lhe garantiu a vitória com mais de 30 minutos de vantagem.

A prova tem um percurso de mais de 105 milhas (cerca de 170 km), com um ganho altimétrico superior a 6.500 metros. Considerada extremamente dura, a Lakeland 100 registra taxa de desistência entre 40% e 50%. Neste ano, apenas 460 dos 721 inscritos conseguiram cruzar a linha de chegada.

Ao comentar o resultado, Hall declarou ao Plant Based News: “Estou muito feliz. Aos 49 anos, valorizo poder continuar competitivo nas principais ultramaratonas do Reino Unido. Trabalhei duro para isso – e que evento incrível.”

Trajetória marcada por resistência e sustentabilidade

Damian Hall começou a correr na casa dos 30 anos e, desde então, acumula feitos notáveis. Em 2020, estabeleceu o recorde mais rápido já registrado no Pennine Way, rota de 431 km que atravessa o norte da Inglaterra até a fronteira com a Escócia. Ele completou o percurso em 61 horas e 34 minutos – mais de três horas abaixo do recorde anterior.

Durante a tentativa, Hall e sua equipe recolheram lixo ao longo do trajeto e arrecadaram mais de £4.000 para o Greenpeace, em uma iniciativa que também buscou reduzir ao máximo o impacto ambiental da expedição.

Além de atleta, Hall é treinador de corrida, cofundador da organização The Green Runners CIC e autor de dois livros: In It For the Long Run (2021) e We Can’t Run Away From This (2022). Ele também escreve colunas para a revista Runner’s World.

O protagonismo vegano nas corridas de resistência

Hall não é o único a mostrar que a performance esportiva de alto nível pode caminhar lado a lado com uma alimentação baseada em plantas. Em maio, o corredor vegano Andreas Vojta ficou em segundo lugar na Wings For Life World Run, percorrendo mais de 68 km em pouco mais de quatro horas em um formato único, em que os atletas correm até serem “alcançados”.

Outro destaque recente é o inglês Bob Yates, que completou o RUN BRITANNIA no mês passado: um percurso de 1.000 milhas que vai de Land’s End, na Cornualha, até John o’ Groats, no extremo norte da Escócia. Ele fez a travessia como forma de celebrar seu 60º aniversário.

Esses exemplos reforçam como atletas veganos vêm conquistando espaço e quebrando paradigmas no esporte de resistência, mostrando que performance, saúde e ética podem correr lado a lado.

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