Você conhece o conceito de beleza limpa? Esse é um movimento que possui preocupação quanto ao impacto que os produtos de beleza causam no consumidor e no meio ambiente, priorizando o uso de produtos livres de ingredientes tóxicos e a produção responsável.  Entretanto, não confunda esse movimento com as classificações de cosméticos naturais, veganos e orgânicos. A beleza limpa entende que um produto natural também pode causar alergias em algumas pessoas ou que uma substância sintética nem sempre é tóxica. 

Além disso, produtos de beleza limpos devem sempre descrever os ingredientes utilizados, tendo transparência com os consumidores. No quesito de sustentabilidade, é preciso mencionar se a embalagem é reciclável ou biodegradável, e se a empresa utiliza sistemas de refil ou de logística reversa. Para ser classificado como beleza limpa, os cosméticos também não podem ser testados em animais, devendo ser cruelty free

Ainda não existe nenhum tipo de regulamentação sobre a beleza limpa, mas algumas substâncias prejudiciais que você precisa se atentar ao comprar seus produtos são as seguintes: parabenos, sulfatos, ftalatos, formol e triclosan. 

Parabenos

Os parabenos são utilizados como conservantes e, apesar da Anvisa aprovar essa substância, é possível que tenha relação com casos de câncer (como o de mama e dos testículos), já que imitam o efeito do estrogênio no corpo e o organismo consegue absorver essa substância. 

Sulfatos

Essas substâncias são derivadas do petróleo, e o componente mais utilizado em cosméticos é o Lauril Sulfato de Sódio,  que pode causar alergias em algumas pessoas. É isso que indica uma pesquisa da Alemanha com 1600 pacientes, que apontou que 42% dos participantes ficaram com a pele irritada. Em um estudo da Universidade de Washington também foi relatado que os sulfatos podem causar irritações oculares, quando em alta concentração. 

Ftalatos

Essas são substâncias que permitem que os perfumes durem mais tempo, dão brilho aos cosméticos e auxiliam na fixação do esmalte. A  questão é que esse composto químico já foi associado à alguns problemas, como o câncer de mama, a diminuição da fertilidade masculina (conforme estudo publicado feito com 295 homens), e a desregulação hormonal. 

Formol

O formol é utilizado em produtos para alisamento capilar, sendo proibido pela Anvisa em quantidades superiores a 0,2%, já que pode ser cancerígeno e alergênico. Entretanto, com essa porcentagem não funciona como alisante e, sim, como conservante. Também é usado em esmaltes, podendo conter até 5% de formol, para endurecer as unhas. 

Conforme informações da farmacêutica Maira Jardim e do cirurgião oncológico Jefferson Luiz Gross, para a Veja Saúde, esse composto pode causar queda de cabelo, irritar a pele e os olhos, trazer vermelhidão, dores e queimaduras. Além disso, pode afetar a garganta, nariz, traqueia e brônquios caso seja inalado, podendo causar dificuldade de respiração e bronquite.

Triclosan

O triclosan é um antisséptico pertence ao grupo de fenóis e éteres, e está presente em diversos produtos, incluindo os de beleza e higiene pessoal, como sabonetes, pastas de dentes e perfumes. A Anvisa autoriza uma concentração máxima de 0,3% nesses produtos. 

A substância pode causar a resistência bacteriana, ou seja, fazer com que as bactérias que desejamos eliminar do nosso corpo se tornem mais presentes, isso é preocupante porque o triclosan pode trazer resistência a antibióticos, apresentando um risco para a saúde humana. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia também apontou que a substância pode trazer riscos de doenças hepáticas para as pessoas. 

Beleza limpa - produtos cosméticos
Imagem ilustrativa: Amy Shamblen via Unplash

Como escolher produtos que seguem os preceitos de beleza limpa? 

Para você escolher um produto que segue os conceitos da beleza limpa, é essencial primeiro verificar o rótulo. Veja se não tem ingredientes tóxicos, como esses apontados acima, nem derivados de petróleo, e fique atento se o produto é cruelty free, não realizando testes com os animais. 

Além disso, segundo a jornalista Marcela Rodrigues, dona do portal A Naturalíssima, especializado em temas de beleza limpa, sustentabilidade e bem-estar, em uma fala no portal Consumidor Moderno: “Na minha visão e forma de falar do tema sempre provoco as pessoas a terem um olhar além da fórmula: quem é a empresa que está por trás, qual o impacto deste produto que, ainda que limpo, teria em padrões de beleza, saúde mental, etc. A sustentabilidade não deve ser vista apenas como consumo ou não de um produto”.

Logo, também é necessário pesquisar sobre a empresa e seus produtos, pensando em quais impactos estão causando.

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por Amanda Stucchi em 21 de julho