Surpreendentemente, foram investidos mais de US$ 1,5 bilhão em proteínas alternativas até julho de 2020. É o que afirma um novo relatório do The Good Food Institute, que acompanha o crescimento dos investimentos em alimentos sustentáveis.

O relatório identificou as tecnologias de fermentação como um terceiro pilar em ascensão das tecnologias fundamentais, nas quais marcas de alimentos novas e estabelecidas estão fazendo produtos que trocam produtos de origem animal por outras fontes de proteína.

As tecnologias de fermentação, que usam micróbios como microalgas e micoproteínas, podem produzir biomassa, melhorar as proteínas vegetais e criar novos ingredientes funcionais, e as empresas que desenvolvem e implantam essas tecnologias arrecadaram US$ 435 milhões em investimentos até o final de julho de 2020. É uma indicação de quão competitivo o mercado de tecnologias de alimentos é, o que representa um aumento de quase 60% em relação aos US$ 274 milhões investidos em todo o ano de 2019, segundo a GFI.

Tudo indica que os grandes investidores estão percebendo as oportunidades deste mercado. Fundos como o Bill Gates-Breakthrough Energy Ventures,Temasek, Horizons Ventures, CPP Investment Board, Louis Dreyfus Co., Bunge Ventures, Kellogg, ADM Capital, Danone, braço de investimentos da Kraft Heinz, Mars e Tyson Foods apoiaram empresas do setor.

Ao todo, as empresas iniciantes focadas na fermentação levantaram 3,5 vezes mais capital do que as empresas de carne cultivada em todo o mundo e quase 60% mais do que as empresas americanas de carne, ovos e laticínios à base de vegetais, também de acordo com o GFI.

Embora haja pelo menos 44 startups focadas em proteínas alternativas em todo o mundo, grandes empresas de capital aberto como Novozymes, DuPont e a DSM também está desenvolvendo linhas de produtos para o negócio de proteínas alternativas.

Os produtos de fermentação no mercado internacional incluem:

  • Fermentação de precisão: sorvete sem animais do Brave Robot da The Urgent Company, alimentado pela proteína de soro de leite produzida pela flora do Perfect Day.
  • Fermentação tradicional: Proteína vegetal PureTaste da MycoTechnology, com sabor e funcionalidade aprimorados como resultado de seu processo de fermentação.
  • Fermentação de biomassa: Micoproteína da categoria pioneira Quorn e novas marcas, como Prime Roots e Meati.

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por Nadia Ferreira Gonçalves em 6 de outubro