O veganismo se torna mais atraente e acessível, graças ao acesso a produtos frescos, mais opções de refeições vegetarianas e à crescente influência culinária das redes sociais.

Em número aproximado, só no Brasil, são quase 30 milhões de pessoas que não comem carne, peixe ou frango, de acordo com uma pesquisa do Instituto IBOPE. Não há um número concreto, mas destes, outros milhões são veganos, renunciando não apenas a carne, como também todos os produtos de origem animal, como leite, queijo, ovos, gelatina, mel e couro.

Os motivos para adesão a uma alimentação baseada em plantas vão desde a ética animal e responsabilidade ambiental até a preocupações com a saúde.

Consumir produtos de origem animal não é apenas desnecessário, um número crescente de nutricionistas e profissionais de saúde estão reconhecendo que produtos de origem animal são prejudiciais à nossa saúde.

Tradicionalmente, a pesquisa sobre vegetarianismo se concentrava principalmente em potenciais deficiências nutricionais, mas nos últimos anos, o pêndulo balançou para o outro lado.

O “X” da questão

É preciso enfatizar que dietas vegetarianas e veganas, desde que balanceadas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem trazer benefícios à saúde na prevenção e no tratamento de doenças.

Mas veja bem, eu disse “desde que balanceadas”, pois se abster de alimentos de origem animal e consumir alimentos ultraprocessados, cheios de gorduras, açúcares, corantes e conservantes não será necessariamente bom para sua saúde. 

Uma dieta baseada em refrigerante, pizza, queijo gordurosos e doces, afinal, pode tecnicamente se passar por “vegetariana”. No entanto, para garantir a saúde, é importante ter certeza de que você ingere uma boa variedade de frutas, verduras e grãos integrais. 

Também é vital substituir as gorduras saturadas por gorduras boas, como as encontradas nas nozes, no azeite de oliva e no abacate. 

Quando comparados a indivíduos que comem carne, os vegetarianos tendem a consumir menos gordura saturada e colesterol, e mais vitaminas, fibra alimentar, ácido fólico, potássio, magnésio e outros nutrientes essenciais para se manter saudável. Como resultado, é provável que tenham menor taxa de colesterol, menor pressão arterial e menor índice de massa corporal (IMC), todos associados à longevidade e à redução do risco de muitas doenças crônicas.

É claro que para garantir uma vida realmente saudável outros bons hábitos também devem ser considerados, como a prática regular de atividade física, redução ao máximo o consumo de álcool e abstenção do hábito de fumar, por exemplo.

Afinal, quais os benefícios do veganismo para a saúde?

O principal benefício é a redução dos riscos de doenças e aumento da longevidade.

Doença cardíaca: há evidências de que os vegetarianos têm um menor risco de eventos cardíacos (como um ataque cardíaco). Em um dos maiores estudos já realizados – uma análise combinada de dados de cinco estudos envolvendo mais de 76.000 participantes – os vegetarianos tinham, em média, 25% menos chances de morrer de doenças cardíacas. 

Câncer: estudos sugerem que a ingestão de muitas frutas e vegetais pode reduzir o risco de desenvolver certos tipos de câncer, e há evidências de que os vegetarianos têm uma incidência menor de câncer do que os não vegetarianos. 

Se você parar de comer carne vermelha por exemplo (seja ou não um vegetariano), você eliminará um fator de risco para câncer de cólon. Os vegetarianos geralmente têm níveis mais baixos de substâncias potencialmente cancerígenas.

Diabetes tipo 2: pesquisas sugerem que uma dieta predominantemente baseada em vegetais pode reduzir o risco de diabetes tipo 2. 

E não para por aí, o veganismo também beneficia a saúde dos ossos

Algumas pessoas relutam em experimentar uma dieta vegetariana – especialmente por excluir produtos lácteos ricos em cálcio – principalmente mulheres, porque estão preocupadas com a osteoporose. 

O fato é que certos vegetais podem fornecer cálcio, incluindo brócolis, couve e acelga. Além disso, o alto teor de potássio e magnésio das frutas e vegetais reduz a acidez do sangue, diminuindo a excreção urinária de cálcio.

Com o que se preocupar?

Tornar-se vegano requer algum nível de planejamento e conhecimento de nutrição e, preferencialmente, o processo de transição deve contar com o apoio de nutricionista. 

A preocupação maior gira em torno do suprimento de vitamina B12, encontrada apenas em produtos de origem animal, incluindo lácteos e ovos. Veganos devem optar pelo consumo de alimentos enriquecidos ou suplementar essa vitamina para evitar a deficiência, causa de problemas neurológicos e anemia perniciosa. 

Mas tudo bem, para quem escolhe ser vegano suplementar é infinitamente simples se comparado ao sofrimento animal para manter a alimentação com carnes, ovos e lácteos.

Ainda, é importante saber que a absorção de ferro é reforçada pela vitamina C e outros ácidos encontrados em frutas e vegetais.

Uma dieta vegana baseada em vegetais integrais (sem laticínios, sem carne, reduzida em alimentos processados), não é apenas muito saudável, mas também reduz o risco de doenças.

Tomados os devidos cuidados, que deveriam permear qualquer escolha alimentar, para que haja adequada nutrição pela dieta, o veganismo se mostra um verdadeiro aliado da saúde.

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por Nadia Ferreira Gonçalvez em 19 de julho