Um extenso estudo em 110 países, conduzido pelo Programa de Yale sobre Comunicações sobre Mudanças Climáticas em parceria com a Meta, oferece insights sobre as crenças, atitudes, preferências políticas e comportamentos dos usuários do Facebook em todo o mundo em relação às mudanças climáticas.

No vasto oceano de desinformação sobre as alterações climáticas, compreender verdadeiramente o que as pessoas pensam sobre essa crise e de onde elas obtêm informações pode ser um desafio. As discussões sobre mudanças climáticas nas redes sociais constituem um domínio distinto, com especialistas publicando relatórios que examinam as atitudes online das pessoas em relação ao tema.

No início de 2023, um relatório da Coligação de Ação Climática Contra a Desinformação revelou que o X (anteriormente conhecido como Twitter) é a plataforma mais problemática em termos de políticas para reduzir a desinformação. No entanto, as lacunas não se limitam apenas a essa plataforma de microblogging.

Em 2020, o Meta, na época denominado Facebook, estabeleceu um Centro de Mudanças Climáticas para lidar com a desinformação, no entanto, uma análise divulgada um ano depois concluiu que o Centro não estava efetivamente solucionando o problema. Como uma tentativa de ampliar seus esforços, a plataforma Data for Good do Meta uniu forças com o Centro de Comportamento e Meio Ambiente da Rare, junto ao Programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas de Yale, buscando compreender as perspectivas reais das pessoas sobre as mudanças climáticas e seus impactos.

Realizada entre agosto e setembro, a pesquisa abarcou 139.136 usuários do Facebook em 110 países. Os autores ressaltaram uma limitação: por ser conduzida no Facebook, uma plataforma de mídia social, é provável que haja uma sub-representação das populações com rendimentos mais baixos e menores taxas de alfabetização.

Segue abaixo os principais dados coletados pela pesquisa:

Conhecimento sobre mudanças climáticas:

Na Finlândia (89%), Hungria (85%), Áustria (77%) e Alemanha (76%), os consumidores são os mais propensos a possuir conhecimento “bastante” ou “moderado” sobre a crise climática. Em contrapartida, em países como Benim e Haiti (ambos com 36%), é mais provável que as pessoas “nunca tenham ouvido falar” sobre as alterações climáticas. Regionalmente, é mais comum que os europeus afirmem possuir um conhecimento moderado a substancial sobre o tema, com maiorias em 27 de 31 áreas estudadas. Já os entrevistados na África Subsaariana são os menos propensos, sem apresentar uma maioria neste quesito.

Crença na ocorrência das mudanças climáticas:

mudança climática Meta 2023-1
Imagem: Relatório YPCCC/Meta/Raro

Após receberem uma breve definição sobre a crise ecológica, a maioria dos entrevistados em todos os países consultados afirmou que as mudanças climáticas estão ocorrendo. A definição apresentada foi: “Mudanças climáticas referem-se à ideia de que a temperatura média global aumentou nos últimos 150 anos, continuará a aumentar no futuro e o clima mundial se modificará como resultado. O que você acha: as mudanças climáticas estão ocorrendo?”

El Salvador (94%), Sri Lanka, Taiwan, Armênia, Nicarágua (todos 93%), Porto Rico, México e Colômbia (todos 92%) são os países onde a maioria acredita que sim, enquanto aqueles no Haiti (64%), Austrália, Países Baixos (ambos com 70%), Laos e Áustria (ambos com 71%) são os menos propensos a concordar.

Quanto à crença sobre se as alterações climáticas são causadas pelos seres humanos, embora 97% dos cientistas ativos afirmem que as mudanças climáticas estão acontecendo e são causadas por atividades humanas, pessoas em Portugal (61%), Espanha (59%) e Finlândia (57%) estão entre as mais propensas a acreditar nisso. Por outro lado, aqueles no Haiti (18%) e Indonésia (20%) são os menos propensos. Entretanto, apenas 16 países têm uma maioria que afirma que as mudanças climáticas são principalmente provocadas por atividades humanas.

As pessoas estão preocupadas com as mudanças climáticas?

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Imagem: Relatório YPCCC/Meta/Raro

Em relação à preocupação ambiental, a maioria em 108 dos 110 países expressa preocupação com as mudanças climáticas. Coreia do Sul e Porto Rico (ambos com 93%), Costa Rica, El Salvador, México e Equador (todos com 92%) apresentam os números mais elevados, enquanto apenas 45% e 47% dos habitantes dos Países Baixos e do Iêmen, respectivamente, compartilham essa preocupação.

Além disso, a maioria dos entrevistados em três quartos dos países considera as mudanças climáticas pessoalmente importantes para eles. Percentagens mais altas foram registradas em El Salvador (87%) e Moçambique (85%), enquanto as mais baixas aparecem nos Países Baixos (19%) e na Jordânia (28%).

Quanto aos impactos da crise climática, 84% dos porto-riquenhos e 83% dos costa-riquenhos acreditam que afetará “muito” as gerações futuras – uma percepção mais acentuada do que em qualquer outro país – enquanto apenas 27% no Iêmen compartilham dessa crença. No âmbito regional, sul-americanos são os mais propensos a acreditar que as alterações climáticas terão um impacto considerável nas gerações futuras, enquanto os do sudoeste asiático e norte da África são os menos propensos.

El Salvador é o país onde a maior porcentagem de pessoas acredita que as mudanças climáticas terão um impacto significativo (66%), seguido por Porto Rico, México, Panamá, Colômbia e Malawi (todos com 61%). Por outro lado, pessoas na República Checa, Finlândia (ambas com 5%) e nos Países Baixos (7%) não acreditam que a crise terá um impacto relevante nas populações atuais.

E quanto às opiniões sobre políticas climáticas e governos?

Imagem: Relatório YPCCC/Meta/Raro

A maioria dos entrevistados em grande parte das áreas (103) expressa que as mudanças climáticas deveriam ser consideradas uma prioridade “muito alta” ou “alta” por seus governos. Esta perspectiva é liderada por regiões na América do Norte e Central (nove em 15) e América do Sul (6 em 9), onde os usuários do Facebook afirmam que as mudanças climáticas deveriam ser uma prioridade “muito alta” para os governos: Porto Rico (92%) e El Salvador (90%) estão no topo da lista. Por outro lado, é menos comum encontrar essa percepção entre os entrevistados no Iêmen (18%), Lituânia, República Checa e Países Baixos (todos com 19%).

Com aproximadamente 52% dos usuários globais do Facebook na faixa etária de 18 a 34 anos, há um sinal positivo nas atitudes climáticas nos países da América Central. No entanto, apesar das políticas e dos protestos climáticos no país, os usuários holandeses do Facebook demonstram uma surpreendente indiferença em relação à crise. Por outro lado, na Finlândia, embora a maioria esteja ciente das mudanças climáticas e acredite que sejam causadas pela atividade humana, apenas um pequeno grupo acredita que as políticas governamentais devam abordar essa questão – um exemplo clássico de ignorância informada.

Imagem de capa: Relatório YPCCC/Meta/Raro

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