O mercado de proteínas alternativas acaba de ganhar mais um sinal importante de amadurecimento. A startup britânica Meatly anunciou uma rodada de investimento de £10,4 milhões para construir a maior unidade de produção de carne cultivada da Europa.

A nova fábrica será instalada em Londres e contará com biorreatores de 20 mil litros, com previsão de início das operações em 2027. O movimento representa um passo relevante para a escalabilidade comercial da carne cultivada, um dos maiores desafios do setor até aqui.

A captação contou com a entrada de novos fundos de venture capital, incluindo Clean Growth Fund, Oyster Bay Venture Capital e JamJar Investments, além do apoio contínuo de investidores já presentes na companhia, como Agronomics e Pets at Home.

CSO Helder Cruz (L) e CEO Owen Ensor

O foco inicial: mercado pet

Diferente de muitas empresas do segmento que começaram mirando o consumo humano, a Meatly decidiu iniciar sua estratégia pelo mercado pet food. A companhia já lançou o primeiro alimento para pets com carne cultivada aprovado no mundo, posicionando-se em um nicho que pode acelerar a adoção da tecnologia.

A lógica é relativamente simples: o mercado pet possui menos barreiras culturais do que o consumo humano direto e, ao mesmo tempo, movimenta bilhões globalmente. Além disso, consumidores de produtos premium para pets costumam estar mais abertos a inovação, sustentabilidade e ingredientes de alta qualidade.

O desafio da escalabilidade

Nos últimos anos, o setor de carne cultivada avançou rapidamente em pesquisa e desenvolvimento, mas ainda enfrenta obstáculos importantes para atingir competitividade econômica em larga escala.

Construir plantas maiores é justamente um dos caminhos para reduzir custos de produção, otimizar processos e validar modelos industriais. É por isso que movimentos como esse chamam atenção do mercado.

A Meatly afirma que passou os últimos quatro anos focada em três pilares:

  • redução de custos;
  • desenvolvimento de tecnologia proprietária;
  • viabilização comercial da carne cultivada.

Agora, a empresa entra em uma nova etapa: provar que é possível produzir em escala industrial.

Um sinal importante para o setor

A entrada de novos fundos também pode ser interpretada como um indicativo de retomada gradual da confiança dos investidores no segmento de proteínas alternativas e foodtechs.

Após um período de retração global em investimentos, especialmente em startups de plant-based e cultivated meat, rodadas robustas como essa mostram que investidores continuam enxergando potencial de longo prazo na transformação do sistema alimentar.

Embora ainda exista um caminho considerável até que a carne cultivada alcance escala massiva e preços competitivos, iniciativas desse porte ajudam a acelerar infraestrutura, tecnologia e validação comercial.

Para o ecossistema vegano e de proteínas alternativas, o avanço reforça uma tendência clara: o futuro da alimentação provavelmente será construído por múltiplas soluções complementares — incluindo alimentos vegetais, fermentação de precisão e carne cultivada.

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