Longe das discussões não fundamentadas, fomos atrás da ciência para responder a essa intrigante questão.

Comparado com a maioria dos outros animais, os humanos vivem por um longo tempo. Isso torna muito difícil realizar estudos que avaliem o efeito de qualquer coisa sobre a longevidade, afinal, haja disposição e vida para aguardar anos e mais anos até a conclusão dos estudos.

De modo concreto, os cientistas analisam os registros de saúde existentes ou recrutam voluntários para estudos que usam períodos mais curtos, medindo as taxas de mortalidade e procurando ver qual grupo, em média, provavelmente morrerá primeiro. A partir desses dados, são obtidas conclusões sobre o efeito que certas atividades exercem sobre a longevidade, incluindo o perfil alimentar.

Afinal, o que os estudos dizem sobre o assunto?

O fato é que a produção científica existente até o momento já traz informações favoráveis. Em pesquisas anteriores, a alimentação vegetariana já foi relacionada a uma menor probabilidade de desenvolver doenças crônicas, como doenças cardíacas ou diabetes.

Um dos maiores estudos realizados até agora, onde pesquisadores da Universidade Loma Linda, na Califórnia, investigaram a associação entre o padrão alimentar vegetariano e a mortalidade, apresenta resultados animadores.

De acordo com o estudo, publicado na revista  JAMA Internal Medicine, entre um grupo de 70.000 participantes, os pesquisadores encontraram que indivíduos vegetarianos tinham um risco de morte 12% menor em comparação com os não vegetarianos

A carne vermelha foi apontada como uma potencial culpada pelos altos índices de mortalidade, devido aos seus altos níveis de gordura saturada e colesterol, que podem obstruir vasos e artérias. 

Outro estudo descobriu que o composto carnitina, também encontrado na carne vermelha, é metabolizado pelas bactérias do intestino humano e pode ser encontrado em elevados índices na corrente sanguínea, indicando risco de doenças cardíacas.

Embora haja uma quantidade razoável de evidências ligando o consumo de carne vermelha à maior mortalidade, outros fatores também podem estar em jogo. Pode ser, por exemplo, que o consumo de vários alimentos vegetais possa ser benéfico e estar associado à redução da mortalidade, por isso, estudos futuros ainda são necessários para explicar melhor os resultados. 

Logo, se vegetarianos consomem mais fibras e vitamina C, essa também pode ser a razão da melhor saúde e maior longevidade do grupo, e isso ressalta a necessidade de uma melhor compreensão de como a dieta afeta a longevidade.

Outro fator a ser considerado, é que vegetarianos, em média, são mais conscientes da saúde do que os carnívoros, o que pode explicar por que eles vivem mais. Eles são menos propensos a fumar, beber álcool excessivamente e a serem sedentários ou com excesso de peso. Não é que os carnívoros sejam desleixados, mas sim que os vegetarianos tendem a ter um estilo de vida mais saudável.

Curiosamente, os pesquisadores também descobriram que a associação entre dietas vegetarianas e menor mortalidade foi maior em homens do que em mulheres. Os homens tinham uma menor taxa de doença cardiovascular e morte por doenças relacionadas ao coração. As mulheres não tiveram as mesmas reduções.

Aqui estão algumas outras razões pelas quais os vegetarianos podem viver mais, em relação aos carnívoros

1. Pressão arterial baixa: pesquisadores descobriram que não apenas os vegetarianos têm pressão arterial baixa, mas que as dietas vegetarianas poderiam ser usadas para reduzir a pressão arterial entre as pessoas que precisam de uma intervenção.

2. Melhores estados de espírito: um estudo dividiu os participantes em grupos, um com dieta vegetariana, outro com consumo restrito de carnes e o terceiro com consumo livre. Os resultados mostram que, depois de duas semanas, as pessoas da dieta vegetariana relataram significativa melhora no humor se comparado às outras duas dietas.

3. Menor chance de doença cardíaca: um estudo com 44.000 pessoas relatou que os vegetarianos tinham 32% menos chances de desenvolver doença cardíaca isquêmica.

4. Menor risco de câncer: pesquisadores da Universidade Loma Linda, na Califórnia, estudaram diferentes versões da dieta vegetariana e risco de câncer, e descobriram que uma dieta vegetariana pode ter benefícios protetores. Embora o estudo não seja a palavra final sobre o assunto, os veganos tiveram o menor risco de câncer, especificamente os cânceres mais comuns entre as mulheres, como o câncer de mama.

5. Menor risco de diabetes: estudos também mostram que os vegetarianos correm menor risco de desenvolver diabetes. Embora a dieta não cure a doença, ela pode diminuir o risco de agravos, ajudando-o a manter o peso e melhorar o controle do açúcar no sangue.

Todas as descobertas destes estudos sugerem que as pessoas considerem a ingestão de mais proteínas vegetais do que proteínas animais.

Então, é necessário parar de comer carne para uma vida longa e saudável? A chave para o envelhecimento saudável provavelmente reside no controle do nosso ambiente, incluindo o que comemos. A partir das evidências disponíveis, é possível compreender que uma alimentação sem carne possa contribuir para isso, e que evitar a carne em sua dieta certamente aumentaria suas chances de evitar doenças com a idade. 



por Nadia Ferreira Gonçalvez em 30 de julho