Um dos pré-requisitos para que sejamos realmente felizes ao longo da vida é procurarmos, a cada novo passo, realmente agir de forma correta e justa, desejando amplamente o bem do próximo e mantendo o coração puro, o que logicamente em nada tem a ver com ser completamente tolo ou inocente. 

É uma pena que muitos, infelizmente, só descobrem essa pequena fórmula, que funciona na vida como um estilingue de energia de retorno, com o passar do tempo e após muitos tropeços, dores e decepções. 

Mesmo assim, incontáveis vezes, a esperança de recomeçar une a todos nós e a cada ano, na Ceia de Natal e na Virada de Ano Novo, muitos sentam em fartas mesas, ou até em não tão fartas assim, e comem além do que precisam, se deliciando com perus, frangos, leitões, chesters, linguiças e muita proteína animal e seus derivados.

É justamente a época mais cruel e violenta no que diz respeito à mortandade de animais, ao contrário de parecer ser um tempo de celebração de paz e união entre os homens. É nesse período de celebração de fim de ano que aumenta muito a demanda por carne e derivados, sendo maior do que qualquer outro mês do ano e contrariando a real concepção natalina de que Jesus nasceu em uma manjedoura, bem próximo dos animais e tendo sido por eles acolhido e aquecido.

Numa época em que o mundo aparentemente se torna mais solidário, muitas vezes somente através de palavras ao vento, tantos não se incomodam de celebrar a vida, novos propósitos e a esperança com a morte, financiando a crueldade contra animais, o que, inclusive, há muito tempo já se tornou parte de um processo natural da humanidade e que aqueles que refletem e rompem são considerados estranhos, quando jamais deveriam em verdade ser. Esses, os vegetarianos e veganos, costumam ser aqueles, em essência, que estão em busca do retorno da raiz mais pura do homem e, de fato, mais conscientes de si mesmos, em maior sintonia com o entorno, com os outros e com os animais.

Somente no Brasil nessa época, mais de 8 milhões de perus são mortos para a celebração do Natal, uma ave que viveria em torno de dez anos normalmente e que é abatida aos dois meses de existência. As fêmeas são as preferidas porque não crescem tanto, o que propicia melhor aceitação no mercado e os machos são deixados em jejum para favorecer o esvaziamento gástrico. Depois, todos são transportados até o matadouro em gaiolas apertadas sobre caminhões. O conceito defendido de bem estar-animal é considerado aplicado, uma vez que a ave tenha vivido por algum tempo e com algum espaço que a permita se mover. Entretanto, não está sendo considerado o estresse de confinamento intensivo natural do próprio processo em si que já é absurdo e necessário ser repensado.

Em um tempo especial como este, é mais do que hora de celebrar de outra forma. É tempo de provocar a reflexão coletiva, de todos se unirem. Entretanto, a questão maior é: com a diversidade com a qual convivemos socialmente, qual a realidade para que isso seja enfrentado, de fato e com equilíbrio, dentro das famílias?

A única forma que imagino de nivelar opiniões e tentar provocar um diálogo mais tranquilo para que não haja uma família com uma mesa de Natal onde se faça ouvir uma voz radical: “- eu não estarei presente se não tiver na ceia o meu peru!”, é que o maior volume de dados consistentes possíveis seja divulgado. Para isso, mais e mais pesquisas precisam ser realizadas, mais fontes acadêmicas precisam ser fomentadas em diversos estados brasileiros, em países, instituições sérias e ONGs, a fim de que esses dados não simplesmente se repitam em diversos veículos de mídia, plataformas e portais de notícias, mas, de fato, haja muita informação diversa circulando.

O fato relevante é que quem não come carne evita a morte de até 582 animais por ano e quem come, precisa mais ainda saber disso, se indignar e se responsabilizar por sua escolha, a ponto de começar a provocar mudanças de padrões de produção.

Essa estimativa, ainda que já um pouco antiga, foi divulgada em 2012 no site Counting Animals pelo PhD em engenharia elétrica e professor da Universidade Drexel, na Filadélfia (EUA), Harish Sethu, que para chegar ao cálculo do referido número utilizou dados sobre a quantidade de animais mortos para alimentação nos Estados Unidos e o tamanho da população referente ao ano verificado, mas que, porém, para que a estatística fosse mais precisa, dividiu o número de animais mortos pela população que come carne, excluindo os vegetarianos e os veganos. O resultado ficou entre 371 e 582 animais anualmente, sendo que a maior parte se refere às criaturas aquáticas.

Imagine, então, esse cálculo atualizado para 2018, com o crescimento populacional dos EUA, bem como a problemática da obesidade mundial. Logicamente, a tendência é crescente. Esperemos que a também tendência crescente dos números de vegetarianos e veganos contribua para um não crescimento tão alarmante assim.

E, por fim, a boa notícia é a de que essa pesquisa também indica sim, que um vegetariano salva pelo menos um animal por dia, apesar de se tratar de uma conclusão conservadora, por não levar em conta os animais mortos na indústria do leite, dos ovos ou de peles. Entretanto, já se está trilhando um bom caminho e operando alguma esperança de continuidade na luta de não crueldade e de insensibilidade humana porque os recursos não se esgotam aí e ainda há muito à frente o que ser feito.

Desejamos a todos um feliz natal e fim de amo vegano!

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por Christian Wolthers em 24 de dezembro