A startup brasileira Fazenda Futuro, de apenas 3 meses de idade, acaba de levantar US $ 8,5 milhões em sua rodada de financiamento. Essa rodada foi liderada pela empresa Brasileira Monashees, que é a maior empresa de capital de risco do Brasil. 

A Monashees avaliou a startup em cerca de US $ 100 milhões.  

O aporte envolveu ainda, a participação na Fazenda Futuro de 8,5%. Além da Monashees, a rodada teve ainda a participação da Go4it Capital, a gestora de Marc Lemann e Cesar Villares.

De olho no mercado

Marcos Leta e Alfredo Strechinsky, fundadores da Fazenda Futuro, que tem sede no Rio de Janeiro, apostaram que hambúrgueres de origem vegetal provocariam uma verdadeira sensação de “água na boca” nos investidores ao redor do mundo. De olho no mercado internacional, onde a Beyond Meat mais que dobrou sua capitalização de mercado, para US $ 10 bilhões, desde que abriu o capital em maio, a Fazenda Futuro começou bem.

A startup desenvolveu seu primeiro produto: o Futuro Burger, que foi lançado no início do ano e já decolou em cinco estados, com quase dois mil pontos de venda. 

Ademais, a foodtech brasileira utiliza inteligência artificial para ajudar a aproximar o sabor e a textura da carne bovina, com ingredientes à base de plantas, incluindo soja, proteína de ervilha e grão-de-bico. A criação é tão realística que o hamburger chega até mesmo a “sangrar”, como um hamburger de carne bovina. A verdadeira tendência da carne sem carne que chegou de vez ao Brasil. 

Inicialmente, os visionários empreendedores visitaram os Estados Unidos para aprender sobre como outras empresas criam alimentos veganos orientados por tecnologia. A intenção era desenvolver tecnologias capazes de criar alimentos idênticos, livres de animais, no sabor, textura e cheiro de carne, de modo a revolucionar a indústria de alimentos sem causar um impacto negativo no meio ambiente.  

E eles conseguiram.

De fato, o Brasil é um dos maiores mercados consumidores mundiais de carne bovina com consumo per capita igual ao dos EUA. Com a crescente popularização dos hambúrgueres sem carne no Brasil e a ampliação de um excelente mercado, a Fazenda Futuro tem para onde se expandir. E agora, com o primeiro financiamento, essa expansão com certeza alavancará a empresa no mercado.

Planos para o futuro

Antes de mais nada, é importante salientar que a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) estima em 30 milhões o número de pessoas que se declaram vegetarianas. Desse número, 7 milhões são veganos, que evitam consumir qualquer tipo de produto de origem animal.

Com os recursos levantados, a Fazenda Futuro pretende acelerar em um ano seu plano de desenvolvimento. A capacidade de produção, que atualmente é de 150 toneladas mensais, será ampliada nos próximos 18 meses para 550 toneladas. 

Apesar de já atingirem números de vendas impressionantes, o preço ainda é um coibente, uma vez que o futurístico alimento ainda custa mais que um hamburger de carne bovina. Mas a tendência é que esse jogo vire mais rápido que o planejado.

Ainda que a expansão seja concluída, à princípio não haverá condição de igualdade de preço com os produtos de carne bovina. Segundo os fundadores, a capacidade de produção precisa atingir entre 1.000 e 1.200 toneladas mensais, com ganhos de escala e boas margens de negociação, para que haja competitividade por preço.

Desafios e oportunidades

A Fazenda Futuro é inovadora no mercado Brasileiro, e ainda pretende lançar novos produtos nos próximos meses, com texturas de carnes de frango e peixes.

Primordialmente, o foco maior da Fazenda Futuro são as redes de varejo, tendo como clientes o Grupo Pão de Açúcar, o Carrefour e o Makro. No entanto, a startup também amplia sua presença no fast food. Em parceria com a rede de massas Spoleto, que tem aproximadamente de 350 lojas no Brasil, em breve haverá o lançamento de carne moída e almôndegas com base vegetal.

Sobretudo, o maior desafio parece ser o mercado, formado por concorrentes de peso. A Seara, pertencente à JBS, iniciou a comercialização de produtos de carne vegetal, e a BRF, está em processo de novas pesquisas para também se voltar ao mercado de produtos vegetarianos.

Todavia, ameaças externas parecem não preocupar tanto, uma vez que os impostos de exportação podem dificultar significativamente a competitividade.

Além de inovar no mercado brasileiro, a empresa também está antenada, e já firmou parcerias no Uruguai e no Chile. A foodtech também conduz pesquisas sobre mercados potenciais fora da América Latina, como Austrália e Canadá. 

A carne do futuro parece ser a solução para matar a fome nos próximos anos. Fome de carne e de bons investimentos.

Leia também sobre o motivo da rápida expansão do veganismo no Brasil e saiba mais sobre a relação entre veganismo e saúde.



por Nadia Ferreira Gonçalvez em 21 de julho